Ópera para pessoas com deficiência
ÚLTIMAS NOTÍCIAS- 21/11/2011
- 11h12min
Pessoas com deficiência visual e auditiva do município de Caruaru, Agreste do Estado, participaram pela primeira vez de um espetáculo de ópera, com texto da programação (Libreto) em Braille e com serviços de intérpretes de LIBRAS. O evento aconteceu ontem, 20, no Teatro do SESC, como parte do Projeto Vias do Ipojuca. A ação de acessibilidade inédita em Pernambuco, teve o apoio do Governo estadual através da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos – SEDSDH.
O canto de tenores e sopranos, barítonos, levaram pessoas cegas às lágrimas, como Lucy Tertulina, presidente da ACACE – Associação Caruaruense de Cegos. Com mais 15 amigos, ela falou emocionada da experiência de assistir uma ópera grandiosa como esta e destacou a importância de contar com o Libreto em Braille, tendo autonomia na compreensão das obras de Mozart, Verdi e Bizet. Lembrou ainda, que apesar de não contar com a visão, vive intensamente todos os outros sentidos. Lucy destacou a necessidade que os produtores culturais amplie o atendimento e a inclusão de pessoas com deficiência em espetáculos culturais.
Já para Sivonaldo Teodoro da Silva, 29 anos, casado, pai de 2 filhos, técnico em radiologia e vocalista da banda Segnos, assistiu ao espetáculo com uma alegria indisfarçável, pois vibrava com a liberdade de acessar informações lendo em Braille, material que foi produzido pelo Governo de Pernambuco, para incentivar a inclusão e a acessibilidade. Sivonaldo fazia parte de um grupo de cegos que tiravam fotografias, e diziam que era o “click” para ficar guardado no coração para sempre.
Durante reunião do grupo teatral com a diretora de produção Margot Rodrigues, os atores falaram da grande emoção que é interpretar para pessoas cegas e surdas. Na oportunidade, Margot informou que o espetáculo vai entrar em sua 3ª edição, ano que vem, totalmente reestruturado, com foco na inclusão e acessibilidade. Ela explicou que a consultoria e o apoio da SEDSDH foi fundamental para a realização do trabalho inclusivo, pois não fazia ideia do quanto seria importante dispor de ferramentas como o Braille para garantir participação mais completa e autônoma das pessoas com deficiência visual, nem da possibilidade de "casar" a Linguagem Brasileira de Sinais com a mensagem de luz e de amor, presentes nas grandes óperas e no roteiro do Áreas Sagradas. "Lançamos o Projeto há dois anos, buscando com acesso gratuito, promover inclusão, mas estamos vendo que é preciso mais para realmente, levar a arte a todos e todas, com completude e esse ‘mais’ está na acessibilidade estrutural e comunicacional". Concluiu afirmando que vai entrar numa nova etapa, com Sincronicidade, no Projeto.
A secretária de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Laura Gomes, responsável pela gestão das políticas públicas para pessoas com deficiência em Pernambuco, comemora este novo momento vivido em Caruaru, com a certeza de que a cultura é um meio estratégico de garantir acesso, direitos, qualidade de vida. "As pessoas são iguais na alegria e no prazer em viver a arte, temos o dever de fortalecer mais aberturas de espaços e agendas para a inclusão cultural e o cumprimento da Lei de Acessibilidade".
Lembra que através do Projeto Camarote da Acessibilidade, vem desenvolvendo este ano uma série de ações inclusivas, para dar maior visibilidade à luta das pessoas com deficiência no Estado e às normas técnicas de acessibilidade. Do carnaval para cá, foram atendidas mais de mil pessoas, de cerca de 40 municípios de Pernambuco, com a implantação de camarotes acessíveis, adaptados, realização de oficinas de direitos humanos, pintura, contação de histórias, áudio descrição e Libras.
O Camarote da Acessibilidade, ganhou o prêmio do Jornal Extra de Caruaru, como melhor Projeto Social e foi reconhecido pela OAB-PE, como modelo em direitos humanos. Ainda na área da acessibilidade, Laura lançou este ano, com o Governador Eduardo Campos, o Programa Pernambuco Conduz, garantindo transporte adaptado e gratuito para pessoas com severa dificuldade motora, para tratamento de saúde. O trabalho é realizado em 14 municípios da Região Metropolitana do Recife, sob coordenação da SEDSDH, com a equipe executiva de Desenvolvimento e Assistência Social, através da SEAD, Superintendência Estadual de Apoio a Pessoas com Deficiência.
