Penitenciária em Caruaru promove casamento coletivo pela segunda vez
NOTÍCIAS- 09/2/2011
- 14h35min
O tão esperado “momento do sim” enfim chegou para 13 reeducandos da Penitenciária Juiz Plácido de Souza (PJPS), em Caruaru, no último dia 29. Sob os olhares emocionados de mais de 150 convidados, as noivas desfilaram pelo tapete vermelho da capela local, inaugurada há 2 anos, ao som da marcha nupcial, entoada por um saxofonista. No altar, os noivos aguardavam ansiosos, já que, como de costume em uma cerimônia matrimonial, houve atrasos.
O beijo marcou a união do casal, oficiado pelo pastor da Igreja Batista Cícero Bismach. De lá, convidados e noivos dirigiram-se para a recepção, onde foram surpreendidos por uma orquestra. A decoração não deixou a desejar. Nos arranjos, rosas vermelhas ornavam as mesas estrategicamente. E, como pede a tradição, os recém-casados dançaram a valsa com direito a chuva de prata, brindaram e cortaram o bolo. Os buquês, tão aguardado pelas mulheres, também foram lançados. Para os convidados foram entregues lembrançinhas.
“Além de estar inserida nas ações de ressocialização da penitenciária, a celebração servirá para que os outros reeducandos possam verificar a importância da família na vida das pessoas. Inclusive, muitos deles se engajaram na execução da solenidade. Dra. Cirlene (diretora da penitenciária) está de parabéns”, afirmou o Secretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSDH), Roldão Joaquim.
Para o juíz, Marcelo Ugiette, a realização do casamento coletivo garante o direito da união civil aos reeducandos e a perspectiva de um novo futuro. “Quando o preso recebe uma pena, não são tirados todos os direitos do cidadão e estes devem ser preservados. A união matrimonial é um dos serviços que o Estado oferece e serve como instrumento de ressocialização”, esclarece.
Ao final da festa, 13 celas foram decoradas com rosas, os noivos tiveram uma noite de núpcias tão especial quanto ao momento do casamento. Tudo isso, devido às doações dos comerciantes locais. A solenidade foi promovida pela diretora e profissionais da unidade, em parceria com empresas privadas. A organização da festa ficou por conta da promoter, Cleide dos Santos, principal articuladora das parcerias.
A festividade possibilitou a José Cristiano, 23, realizar o seu sonho e da sua esposa, a vendedora Adélia Oliveira, 21. “Nunca teríamos a oportunidade de ter um casamento como este. Decidimos nos casar quando soubemos da possibilidade”, afirmou.
Já para Severino Silva, 39, e Rosilda Melo, 39, a espera pelo dia do casamento durou mais de um ano. “A ansiedade da espera foi grande, mas finalmente aconteceu. É uma oportunidade que aparece uma vez só nas nossas vidas”, comemorou,
Eventos como este são comuns na PJSP, já que o órgão possui um tratamento diferenciado com relação aos detentos. Nas palavras da diretora da instituição, Cirlene Rocha, a iniciativa representa só mais um passo em busca da ressocialização. “Aqui, são trabalhados quatro pilares fundamentais: educação, trabalho, família e religião. O casamento coletivo está diretamente ligado ao fortalecimento dos laços familiares dos reeducandos, o que é crucial neste processo”, revelou.
